quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A praia do presidente JK

A praia da Armação, em Búzios, começa para além da famosa Rua das Pedras, percorre toda a Orla Bardot e termina ao pé de um morro que a separa da Praia dos Ossos. Do lado esquerdo, junto à Praia do Canto, predominam os estabelecimentos e atrações para turistas. É o trecho mais badalado da cidade, onde ficam as grandes boates, os restaurantes, bares, galerias, lojas de grife e os grandes hotéis do Morro do Humaitá, cuja vista para o mar é uma grande atração.


Este é o presidente Juscelino Kubitschek, homenageado na orla da Armação com uma escultura.

 
Consta que JK, sempre bem acompanhado, ocupava uma suíte do casarão do século 18, que pertencia a seu ministro-chefe da Casa Civil, Osvaldo Penido, onde hoje funciona o restaurante Sollar Búzios.


No canto direito, ficam os bares e o comércio local, pequenas pousadas, casas de pescadores e moradores permanentes. No auge da temporada de verão a coisa ali fica um pouco barulhenta, mas ao longo do ano o cenário é de aconchego e tranquilidade.


Bares e restaurantes se espalham à beira mar. Outra característica do lugar são as construções antigas, erguidas nos primórdios da ocupação da península, nos tempos da caça à baleia, que já foi a base econômica da região. Dentre essas construções se destaca o casarão colonial que abriga hoje um restaurante, mas já hospedou um presidente.


 O casario colonial é preservado, guardando a lembrança daquela Búzios remota, produtora de óleo de baleia.


 Do lado do mar, assentada sobre a areia da praia, há apenas um casarão, transformado em hospedaria com um bom restaurante e pizzaria de carta italiana, onde não faltam vinhos razoáveis, a preços um pouco salgados.


Algumas construções antigas foram transformadas em casas de veraneio, outras resistem como moradia de buzianos.


O charme da arquitetura colonial preservada encanta os visitantes. Becos com calçamento pé-de-moleque ainda são encontrados no bairro.


Na Armação fica o pier de onde partem os barcos de passeio pela orla e aonde chegam as coloridas embarcações de pesca com sua carga de peixes frescos ou depois de descarregá-la em Cabo Frio. É uma impressionante variedade de tamanho, formato e cores das embarcações fundeadas na pequena baía.


Ponto de atracação de barcos de turismo e de trabalho, dali partem as escunas para passeios pela orla e até Arraial do Cabo e Cabo Frio.

Num pequeno estaleiro, barcos encostam para reparos


Embora pouco usada para banho, a ponta direita da Armação tem águas claras e areias permanentemente limpas, sem poluição visível, apesar do emporcalhamento que jovens veranistas mal educados promovem durante a noite, no auge da temporada.


Toda a Orla Bardot é ponto de atracação de barcos, mas na ala direita eles descansam em quantidade exuberante, tornando a cena irresistível para os fotógrafos profissionais ou amadores.


A rua calçada de paralelepípedos margeia a praia de uma ponta a outra e pode ser percorrida a pé facilmente.


Sob a sombra das amendoeiras, apreciar a vista do mar verde claro que se perde no horizonte não custa nada.


Mas poderiam cobrar entrada para um espetáculo tão belo. Esculturas dentro d'água homenageiam os que vivem do pescado.


Quando o sol começa a baixar, é hora de não mover o pé e continuar a curtir as belezas do lugar.


Fotogênica como toda a península, a Armação prolonga o show visual pelo final de tarde.


 Como todo entardecer buziano, na Armação a paisagem é relaxante. Sentar-se à mesa de um dos bares da orla ou num banco de frente para o mar, tomando uma taça de vinho ou uma cerveja e contemplar o pôr-do-sol é um programa e tanto.


 À noite, bares com música, restaurantes e lojas de lembranças ficam abertos até tarde. E a beleza dos barquinhos ancorados continua a fascinar.

 (Fotos e textos de Julio Cesar Cardoso de Barros)

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

As piscinas da Ponta da Lagoinha

Entre as praias da Ferradura e da Foca, em Búzios, localiza-se o parque da Ponta da Lagoinha, um pedaço de litoral de interesse geológico que atrai também os turistas. 


Por causa da beleza das piscinas que se formam quando as águas baixam e das formações rochosas de mais de 500 milhões de anos, o parque foi tombado pelo governo do estado do Rio, em 2003.


Seguindo pela via que margeia a praia da Ferradura se chega à entrada da trilha do parque.


O visual é exuberante à luz normalmente generosa do lugar.


A piscina se abre para a entrada da enseada da Foca. As águas calmas das piscinas contrastam com a agitação do mar.


Turistas aproveitam para tirar fotos e escalar as pedras que permitem uma bela vista do oceano.


Uma placa rústica informa tudo sobre o que o turista vai ver no lugar. O acesso é livre, mas é proibido fazer piquenique no local ou deixar qualquer tipo de lixo. 


Nos pontos mais elevados do parque, há fendas pelas quais respingam as águas do mar no choque com as rochas. São rochas ricas em ferro, magnésio, cálcio e outros minerais sólidos. São compostas ainda, entre outros minerais, de granada, cianita e quartzo. 


As rochas se apresentam em camadas paralelas numa inclinação de 20 graus, resultado de grande pressão sofrida a certa altura da história geológica do planeta. As formações são características das que existem no Himalaia. O fato científico conferiu ao local o apelido de Himalaia Brasileiro, que ao leigo soa um tanto quanto sem sentido.


As características morfológicas de milhões de anos sofrem modificação sob
 a ação das ondas e das marés que esculpem o granito.


À vegetação típica de litoral se somam espécies exclusivas da região, como o cacto de cabeça branca. 



Meio quilômetro de trilha de trânsito fácil permite que os turistas desfrutem da beleza natural do parque, independentemente de sua importância científica.

(Fotos e texto: Julio Cesar Cardoso de Barros)

terça-feira, 27 de agosto de 2013

O casarão de Araruama

Quem passa pelo quilômetro 27 da Via Lagos, em Araruama, vê à direita um belo casarão de traços neoclássicos muito preservado. É a antiga sede da Fazenda Aurora, erguida em 1862 pelo português Francisco Pereira da Costa Vieira, onde está instalado o Museu Arqueológico de Araruama.


Tombado pelo instituto Estadual de Patrimônio Cultural, o prédio se tornou sede do museu em 2006 e é mantido pela prefeitura de Araruama.


O MAA conta um pouco da história dos povos que viveram na região antes da descoberta do Brasil. No município há 20 sítios arqueológicos onde foram localizados objetos que pertenceram aos tupinambás.


Infelizmente, por falta de estrutura adequada, o acervo de interesse arqueológico recolhido na região está no Museu Nacional no Rio de Janeiro.


Mas há visitas monitoradas, painéis e uma iconografia que ajuda os visitantes a entender um pouco do passado desta terra. O museu supostamente funciona de terça a domingo, inclusive feriados, das 9 às 17 horas, mas na nossa visita, numa quarta-feira por volta das 11 horas, estava tudo às moscas. O prédio fechado, nenhum aviso e ninguém para informar alguma coisa.
 

Se a ausência do rico acervo e a casa fechada são uma decepção para quem tenta visitar o MAA, a construção em si compensa. Além da casa grande, os anexos, armazéns, cavalariça etc, exibem o mesmo cuidado de restauração.




Nos fundos, jardins e a rampa do armazém.


O casarão, erguido no auge do ciclo do café fluminense, é um registro imponente do poderio dos barões rurais. 




Instalado num terreno de cinco mil metros quadrados de área, a quatorze quilômetros do centro de Araruama, a construção de tímido estilo neoclássico no prédio principal, descamba para o singelo estilo colonial brasileiro nos prédios secundários.


O contraste é vísivel: à esquerda o janelão com vidros, um certo acabamento na alvenaria, eira e beira. À direita, a pobreza remanescente do colonial.


Janelas e portas de tábua corrida, sem bandeira ou vidro.

O conjunto, no entanto, tem uma beleza indiscutível. Não vimos o acervo, nem ao menos o interior do casarão. Mas a vista do conjunto, o velho pátio onde o café secava, o armazém, e a sede da Fazenda Aurora, como em seu momento de maior esplendor, valeram a pena.


De passagem rumo aos lagos, vale a parada.


 (Fotos e texto: Julio Cesar Cardoso de Barros)

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Um rio, uma capela

Barra de São João, segundo distrito de Casimiro de Abreu, passou de um simples arruado à beira da rodovia Amaral Peixoto de décadas atrás a um centro bastante populoso do litoral norte fluminense. Seguindo o caminho de Rio das Ostras e Macaé, o lugar cresceu muito nos últimos tempos, talvez embalado pelos royalties do petróleo.


Mas o lugar mantém seu charme, concentrado basicamente na região da foz do rio São João, onde fica a capela de São João Batista, construída sobre um outeiro à margem esquerda do rio, em 1847 a partir da velha capela do início do Século XVII.




O prédio é tombado pelo Patrimônio Histórico. Numa pequena sepultura do adro descansa o poeta Casimiro de Abreu, o romântico que emprestou seu nome ao município.



Diferentemente de seus vizinhos, Barra de São João conservou o ar pacato, com ruas arborizadas e uma orla bem cuidada.



Nos quarteirões históricos, um casario preservado lembra os tempos coloniais.



Na orla, com seu calçadão, estão os 4 quilômetros de uma praia que se estende até Rio das Ostras. 



Mas nem tudo é beleza e ar puro, no distrito. A poluição do rio São João é um problema histórico do lugar. 



Nos anos 70, o fotógrafo Armando Rosário, preocupado com a poluição do rio, botou a boca no mundo. Sua luta, numa época na qual a ecologia ainda não estava na moda, é histórica. Passadas quase quatro décadas, a coisa mudou pouco, segundo antigos moradores.




Pescadores amadores ainda lançam seus anzóis na barra, onde robalos e bagres são fisgados graças à troca das águas do rio com o mar.



Mas ainda há despejo de esgoto urbano sem tratamento ao longo dos 120 quilômetros do belo rio. Ele preserva a pureza na altura da Reserva Biológica Poço das Antas. Mas passado o trecho, as matas ciliares cederam lugar a plantações, facilitando a poluição por agrotóxicos.


Outro perigo para o curso d'água é representado pela vazão de afluentes poluídos, como o Canal do Medeiros, que provoca enchentes em Rio das Ostras e Casimiro de Abreu.


A paisagem, apesar de tudo, é deslumbrante. Para qualquer lado que se olhe, há uma exuberância natural rara de se encontrar.




O mar, o rio e a serra compõem um quadro de rara beleza. O São João segue seu curso, resistindo às agressões de uma ocupação humana desordenada e desenfreada.


Areia, pedras e vegetação enfeitam as margens do São João. Um esforço maior na penalização dos poluidores do rio e mais investimento no saneamento seriam medidas muito bem-vindas.

(Fotos e texto: Julio Cesar Cardoso de Barros)