quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Sombra e água fresca na Tartaruga

Considerada por muitos como uma das mais belas praias do país, a Tartaruga, em Búzios, é famosa por suas águas calmas, claras e mornas, próprias para o banho, a pesca e a prática esportiva. Localizada do lado esquerdo da península, ela ostenta belas formações de pedras e corais, além de uma vegetação exuberante. Aliando tudo isso a algum serviço de qualidade, o lugar é uma ótima opção para passar o dia ou se hospedar.


Pousadas instaladas no alto e do outro lado do morro ou junto à areia possibilitam uma estadia agradável, com diárias que na alta temporada podem ser tão salgadas quanto as águas do Atlântico. Mas nada muito indecente.


Restaurantes, pousadas e quiosques oferecem cadeiras aos banhistas que se disponham a gastar seus tostões no local.


A Tartaruga é protegida pelo morro de vegetação abundante que esconde uma trilha para a Ponta da Sapata - bom local para o mergulho de observação dos corais - e a vizinha praia de Manguinhos, com ótimos restaurantes.


No canto esquerdo, livre das pedras, com águas ainda mais transparentes e areia limpa, o ambiente é perfeito para quem quer distância da agitação dos quiosques. Mesmo no auge da alta temporada esse canto é frequentável e mais isolado.


Areias vermelhas e águas cristalinas são um convite irresistível à caminhada e ao mergulho.


As pedras são uma marca da Tartaruga. É preciso tomar cuidado na hora de mergulhar. Mas a mansidão das águas facilita o trânsito, amenizando o risco de acidentes.


Elas estão por toda parte, mas no canto direito são abundantes e coloridas. Lá, outras duas prainhas, pedras de tons variados e a grande laje atraem os visitantes.


Em frente, do outro lado da enseada, é possível ver ao longe o litoral de Barra de São João e Rio das Ostras. A silhueta da serra fluminense correndo por trás das ilhas é um visual distante, mas bonito, quando a maresia e as nuvens permitem. Nessas ocasiões, é possível contemplar a cordilheira tomando quase todo o horizonte, desenhando de modo claro a enseada.


Os barquinhos repousando na areia denunciam a presença dos homens do mar.


Como em toda praia buziana, os pescadores também fazem ponto na Tartaruga.


Além das três espécies de tartarugas, que desovam por lá, o lugar está cheio de peixes, que podem ser pegos ou apenas observados - óculos, snorkel e pé-de-pato podem ser alugados por um preço razoável. 


 Na maré baixa, as pedras formam uma ilhota acessível a pé, que os turistas adoram percorrer.


O tempo todo os saveiros e escunas chegam e ancoram ao largo para um mergulho de passageiros e tripulantes, que raramente desembarcam na areia para tumultuar.


As águas calmas do lugar e um vento constante tornam a enseada ideal para os esportes náuticos, como acontece com todas as praias dessa banda da península. Barcos e pranchas de windsurf cortam a enseada a todo momento com suas velas coloridas.


O praticantes do stand up paddle também se aproveitam do mar flat para dar suas remadas.


Nem é preciso levar equipamento, pranchas e caiaques de vários tipos para alugar não faltam ao longo de toda a praia.


A canoa havaiana, relativamente nova no nosso litoral, também vem sendo praticada na Tartaruga.


Com a fiscalização dos órgãos competentes, as velhas cabanas improvisadas foram sendo substituídas por quiosques mais asseados e de visual menos agressivo.


Eles servem desde batata frita até pratos mais elaborados, com destaque para os pescados.


Quem prefere ficar à sombra ou não quer molhar os pés, há a opção de um bom restaurante pé-na-areia pertencente à pousada, que oferece um bom cardápio servido em mesinhas com vista para o mar. Pratos de lulas, polvo, mariscos e moquecas de peixe e camarão são muito bem servidos.


Se for só para tomar um coquetel e relaxar, há ambientes bem aconchegantes.


A madorna à sobra das amendoeiras, depois do mergulho, do almoço e das biritas é de lei.


O final de tarde na Tartaruga é calmo e preguiçoso. Visitar Búzios e não conhecer essa praia é imperdoável.

(Fotos e texto: Julio Cesar Cardoso de Barros e Cristina Ramos)

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Um convento, um museu


A Igreja Conventual de Nossa Senhora dos Anjos, localizada no Largo de Santo Antônio, no centro da cidade, é um cartão postal dos mais conhecidos de Cabo Frio. 


Fundada em 1696 por franciscanos, a construção está assentada sobre um outeiro na base do Morro da Guia, próximo à ponte Feliciano Sodré, na margem direita do canal do Itajuru.


Desde 1982 a igreja abriga o Museu de Arte Religiosa e Tradicional de Cabo Frio


A igreja de Nossa Senhora dos Anjos é um dos monumentos mais importantes do período colonial na cidade, que conta com diversas construções do período.


O prédio, que foi tombado em 1957 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, chegou a ser interditado pelo Corpo de Bombeiros em conjunto com o Iphan, depois de um incêndio que comprometeu a segurança de seus visitantes, no início de 2012


Em outubro daquele ano ele foi reaberto, e no momento está novamente em obras de manutenção. Seu pequeno acervo, que não pode ser fotografado, é composto de imagens raras do barroco, feitas em terracota e madeira policromada nos séculos XVII e XVIII


O pátio interno do convento liga a nave aos aposentos dos religiosos. Hoje, sala de exposição e lojinha de lembranças ocupam esses espaços. 


No adro estão as sepulturas dos religiosos que serviram no convento.


O anjo guarda o descanso dos franciscanos que ali foram enterrados.


No topo do morro pode ser avistada de longe a Capela Nossa Senhora da Guia, que os franciscanos ergueram em meados do Século XVIII. Lá em cima há um mirante de onde se tem uma visão panorâmica da cidade. Vale a visita.


(Fotos e texto: Julio Cesar Cardoso de Barros)

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A praia do presidente JK

A praia da Armação, em Búzios, começa para além da famosa Rua das Pedras, percorre toda a Orla Bardot e termina ao pé de um morro que a separa da Praia dos Ossos. Do lado esquerdo, junto à Praia do Canto, predominam os estabelecimentos e atrações para turistas. É o trecho mais badalado da cidade, onde ficam as grandes boates, os restaurantes, bares, galerias, lojas de grife e os grandes hotéis do Morro do Humaitá, cuja vista para o mar é uma grande atração.


Este é o presidente Juscelino Kubitschek, homenageado na orla da Armação com uma escultura.

 
Consta que JK, sempre bem acompanhado, ocupava uma suíte do casarão do século 18, que pertencia a seu ministro-chefe da Casa Civil, Osvaldo Penido, onde hoje funciona o restaurante Sollar Búzios.


No canto direito, ficam os bares e o comércio local, pequenas pousadas, casas de pescadores e moradores permanentes. No auge da temporada de verão a coisa ali fica um pouco barulhenta, mas ao longo do ano o cenário é de aconchego e tranquilidade.


Bares e restaurantes se espalham à beira mar. Outra característica do lugar são as construções antigas, erguidas nos primórdios da ocupação da península, nos tempos da caça à baleia, que já foi a base econômica da região. Dentre essas construções se destaca o casarão colonial que abriga hoje um restaurante, mas já hospedou um presidente.


 O casario colonial é preservado, guardando a lembrança daquela Búzios remota, produtora de óleo de baleia.


 Do lado do mar, assentada sobre a areia da praia, há apenas um casarão, transformado em hospedaria com um bom restaurante e pizzaria de carta italiana, onde não faltam vinhos razoáveis, a preços um pouco salgados.


Algumas construções antigas foram transformadas em casas de veraneio, outras resistem como moradia de buzianos.


O charme da arquitetura colonial preservada encanta os visitantes. Becos com calçamento pé-de-moleque ainda são encontrados no bairro.


Na Armação fica o pier de onde partem os barcos de passeio pela orla e aonde chegam as coloridas embarcações de pesca com sua carga de peixes frescos ou depois de descarregá-la em Cabo Frio. É uma impressionante variedade de tamanho, formato e cores das embarcações fundeadas na pequena baía.


Ponto de atracação de barcos de turismo e de trabalho, dali partem as escunas para passeios pela orla e até Arraial do Cabo e Cabo Frio.

Num pequeno estaleiro, barcos encostam para reparos


Embora pouco usada para banho, a ponta direita da Armação tem águas claras e areias permanentemente limpas, sem poluição visível, apesar do emporcalhamento que jovens veranistas mal educados promovem durante a noite, no auge da temporada.


Toda a Orla Bardot é ponto de atracação de barcos, mas na ala direita eles descansam em quantidade exuberante, tornando a cena irresistível para os fotógrafos profissionais ou amadores.


A rua calçada de paralelepípedos margeia a praia de uma ponta a outra e pode ser percorrida a pé facilmente.


Sob a sombra das amendoeiras, apreciar a vista do mar verde claro que se perde no horizonte não custa nada.


Mas poderiam cobrar entrada para um espetáculo tão belo. Esculturas dentro d'água homenageiam os que vivem do pescado.


Quando o sol começa a baixar, é hora de não mover o pé e continuar a curtir as belezas do lugar.


Fotogênica como toda a península, a Armação prolonga o show visual pelo final de tarde.


 Como todo entardecer buziano, na Armação a paisagem é relaxante. Sentar-se à mesa de um dos bares da orla ou num banco de frente para o mar, tomando uma taça de vinho ou uma cerveja e contemplar o pôr-do-sol é um programa e tanto.


 À noite, bares com música, restaurantes e lojas de lembranças ficam abertos até tarde. E a beleza dos barquinhos ancorados continua a fascinar.

 (Fotos e textos de Julio Cesar Cardoso de Barros)